domingo, 29 de agosto de 2021

Uma Honda Tornado na terra dos Ursos

 Confira a história contada por uma velha Honda Tornado que rodou mais de 30 mil km para levar seu dono até o Alasca

Por Marcelo Gubert Fotos Arquivo Pessoal

nota da redação: a matéria foi publicada originalmente na Revista Duas Rodas 


Sou uma Honda Tornado e meu dono é o Marcelo Gubert. Ele tem 34 anos e, assim como eu, adora viajar. Fui fabricada em 2007 e, quando cheguei na concessionária ele foi me buscar. Marcelo é tecnólogo em eletromecânica e produtor rural, muito sistemático, atencioso e apaixonado por mecânica. Naquela época eu nem imaginava o tamanho da nossa parceria. Em 2011 ele veio com um papo de ir até o Alasca. Eu sabia que  outras motos já foram até lá, mas no começo, fiquei até meio intimidada. Eu já estava com 100.000 km no painel de outras andanças que fiz com o Marcelo. Sim, 100.000 km em menos de quatro anos. Gostamos de rodar!


Antes da viagem ganhei uma revisão completa, o Marcelo cuida muito bem de mim. Desmontou cada parafuso. Trocou a corrente de comando e alguns retentores por precaução. Limpou e lubrificou cada rolamento e cada pino meu. Descarbonizou e alinhou os anéis do pistão, minha camisa estava um brilho! Também ganhei pneus e relação novos. O Marcelo bolou um esquema pra levarmos combustível extra. Com umas barras de alumínio e poucos parafusos fixou dois galões plásticos de 5 litros nas minhas laterais. Agora eu tava me sentindo uma Maxi trail: tinha autonomia para 500 km. 


Em maio de 2011 saímos de casa, em Medianeira, no Paraná. Da minha garagem no interior do Paraná até a Colômbia o ritmo foi firme. Demoramos nove dias para chegar a Bogotá. A gasolina da Argentina é boa mas eu não gostei da 98 octanas. Dei umas falhadas nas retomadas e pedi pro Marcelo usar a 92. Rodamos nesse trecho uma media de 800 a 1.100 km por dia, das cinco da manhã até as sete da noite. Marcelo tem uma tocada tranquila, não passamos dos 100 km/h e só paramos pra algumas fotos, pra abastecer ou pra ele tomar algum refrigerante. Nosso ritmo de viagem foi constante. O Marcelo quase nunca corre, mas foi comum entre as viagens ficarmos 12 a 14 horas por dia rodando. Nosso prazer é estar na estrada de sol a sol. Todos os dias saíamos ainda escuro pra amanhecer na estrada.


Entre 2009 e 2010 o Marcelo já tinha me pilotado nos países da América do Sul. Lembra dos 100.000 kms? Então; eu não gosto de passar duas vezes pelo mesmo caminho, coisa de Tornado sabe? Mas nessa viagem tivemos que repetir alguns caminhos. Sofri um pouco nos Andes Chilenos e com o vento da costa Peruana. No Equador tem muitas curvas radicais e uns vulcões irados! Em Quito trocamos o óleo e filtro. Marcelo Não deixa mecânico estranho colocar a chave em mim! Ele usa óleo mineral de boa qualidade e substitui o filtro toda vez. “Óleo é dinheiro a juro” ele me diz. 

Virei carga

Quando chegamos em Bogotá me disseram que teríamos que voar num cargueiro até o Panamá. Eu até queria ir por Darien (ligação por terra entre Colômbia e Panamá), mas o Marcelo disse que estava perigoso por aquelas bandas. No cargueiro tinha muita mercadoria e até dois cavalos. O cachorro farejador da aduana carimbou minha roda dianteira e o voo não foi dos melhores, chovia e balançava tudo naquele avião.

 


Gostei muito do Panamá! O único lugar que vimos placas dizendo “Reasuma la velocidad” (veja na foto) e rodar é o que mais gostamos de fazer: Como dizem por aqui, ‘llantas adelante’. Nossa tocada na América Central foi suave. Pouca distância entre vilarejos e polícia pra todo lado. O Marcelo sabia que não podia infringir leis, senão eu ficaria num pátio de delegacia sozinha e depois do medo no cargueiro nós queríamos mesmo era estrada!


Nicarágua, Honduras, El Salvador. Cada aduana eu ficava horas parada na fila enquanto o Marcelo fazia meus documentos de importação temporária. Volta e meia vinha alguém tirar meu decalque do numero de chassi. Em todo lugar as perguntas eram parecidas:

 “?eres una Honda dos cincoenta?”

“?viene de Brasil en esta moto chica?”

“?cuanto custa una Tornado em Brasil?” (risos. Quem viaja sabe que vivem perguntando isso)


Entramos no México e meu pneu traseiro estava ficando careca. Já tínhamos rodado mais de 10.000 e sobre o banco havia muita bagagem. Minha carga entre combustível e peças de reposição passava de 35 kg. O Marcelo tinha jaqueta, uma calça e duas cuecas: uma pra ida, outra pra volta. Não gostei da gasolina mexicana. Muito cara e misturada com um etanol estranho. Eu tentava não engasgar, mas entre uma retomada e outra as vezes tossia um pouco. No geral não tive problemas. Nada de vazamentos, minha corrente teve desgaste normal pois estava sempre lubrificada e com a tensão perfeita. Spray de óleo fino nas partes móveis e no chassi pra eu não oxidar. Graxa e óleo viscoso na corrente todas as noites no estacionamento do hotel. 

Perto de Puebla um pneu traseiro estava levemente vazio. O Marcelo tem uma sensibilidade muito grande pra isso, está sempre me olhando e sentiu numa curva que a traseira dançou um pouco. Paramos num posto policial logo em frente e resolvemos isso. Tínhamos tudo na bagagem: cavalete de alumínio pra me erguer, duas câmaras de ar novas, bomba de encher. Não ficamos abatidos porque estávamos trocando um pneu furado, mas, no México! Dias depois tivemos que comprar um pneu traseiro novo, “hecho em Mexico”, sorte que não tinha muita pimenta... rsrsrsrsrs

Finalmente 


A aduana dos Estados Unidos foi mágica, “Hello tio Sam”! Eu já via placas da Chevrom do outro lado. Os “cops” revistaram tudo. Pediram ate pra tirar meu banco pra ver se havia armas ou drogas escondidas em mim. Deu até vontade de responder: “Take easy Sir... keep calm and Road, Road!”

Dias depois estávamos no Arizona, nela mesma: a lendária Route 66. Lugar das Harleys, dos estradeiros... e eu, uma 250cc made in brazil ali! Me escorreu uma gota de óleo no cavalete lateral (emocionada). Uma Trail pegando no peito o vento dos desertos americanos. Foi Emocionante! As custons e choppers passavam por nos roncando forte e nem imaginavam de onde vínhamos ou para onde iríamos!

Não imaginava quanto os americanos gostam da minha marca. No Brasil sou uma simples Honda trail, mas lá era uma estrela. Os gringos arregalam o olho me olhando: “Two fifth? Uowww!!! I sow a Gold Wing”. Pensava comigo guarde suas milhares de cc a mais. Nós só temos 249 cc e estamos aqui.


Por uns dias viramos turistas. Rodamos pertinho do Grand Canyon, entre Sequoias gigantes, não vimos o Guarda Smith nem o Urso Catatau. Rodamos na Strip em Las Vegas, Golden Gate, Pacific Highway 01. O Marcelo gritava dentro do capacete o tempo todo: “Pobre, mas o cafezinho é doce!” Ele estava muito feliz. Eu sentia isso quando parávamos para alguma foto. Ele explorou meus melhores ângulos; todos! Quando saímos de casa ele conversou serio comigo, teríamos pela frente uma aventura mítica. Não é qualquer moto que vai do Brasil até os EUA. Então combinamos o seguinte: “Sobe ai, acelera e vamos!”



Quase no extremo norte dos EUA o frio começou apertar. Pela manhã eu precisava de uma água quente sobre motor pra não forçar muito a bateria na partida. Nesse ponto o Marcelo foi incrivelmente atencioso. Fazia tudo com perícia pensando na minha durabilidade. A cada seis  ou sete mil km trocávamos óleo e filtro. Calma, não se assuste. A recomendação do Fabricante não é essa! Portanto, não tente fazer isso em casa. Nosso ritmo de viagem era diferente. Na América do Sul a média era 900 km por dia, na América Central 450 km no México e Estados Unidos 600 km a cada dia. Basicamente era uma troca de óleo por semana e o Marcelo sempre deixava meu nível um pouco acima do máximo. Com mais óleo no cárter a degradação do lubrificante era mais lenta. Além disso, ele sempre conferia filtro de ar, regulagens de freio, cabos, espias. Trocamos a vela na Califórnia por precaução pra nunca forçar minha bobina. Sou uma 250cc, mas gosto de funcionar com harmonia. 

Entramos no Canadá em um domingo e outra vez furou o pneu traseiro. Paramos pra trocar no pátio de um banco numa cidadezinha igual dos filmes que víamos na TV. Logo chegaram três carros de policia para ver o que havia. Enquanto o Marcelo fazia amizade com os ‘Cops’ eu tava ali, calçada no cavalete de alumínio e o Ford Crown Victoria da viatura piscava pra mim... (risos) 


Até então quase não tínhamos rodado na chuva, mas no Canadá ela chegou com força. Vários dias nublados, extremamente frios, garoando o tempo todo. Com pavimento molhado não tem relação que dure. A minha começava a bater e o Marcelo decidiu substituir por uma nova que trazíamos e deixar essa usada na bagagem ainda ‘utilizável’ para um caso de emergência. Estávamos do outro lado do mundo e seria muito prudente termos um “plano B” para certas adversidades. 

Ursos

Ursos são incríveis: o primeiro que vimos no alto de uma montanha, paramos... O Marcelo montou o tripé da câmera, puxou todo o zoom “olhaaaa, um urso!”

No segundo dia, “olha... mais ursos!”. Dias depois era urso pra todo lado tinha que buzinar para ursos, bisão, veado e carneiros selvagens. 

Estávamos rodando na Alaska Highway. Emocionante. O ritmo era o mesmo 90 a 100 km/hora. Pra que a pressa jovem? Queríamos que aqueles quilômetros. A vantagem da paixão por viajar é saber que a cada quilômetro da ida, haverá outro na volta.


Planejamos chegar em junho quando o sol fica no horizonte praticamente o tempo todo.  Chegamos em Watson Lake onde está a Forest Sign e não achamos local para pernoitar, tudo lotado. Marcelo encheu o tanque e a chuva parou e voltamos para a estrada. A todo instante havia placas informando o que próximo posto estava a 250 km. Isso me deixava excitada: quanto mais deserto melhor!

Seguimos com o sol quase tocando o horizonte, mas era quase meia noite. Por alguns instantes escureceu e a tocada foi mais leve, entre 60 e 70 km/hora. Perto das quatro da manhã chegamos a Whitehorse, abastecemos e seguimos em frente para fechar 24 horas de viagem sem parar. O dia estava lindo e não queríamos parar para dormir. Café para o Marcelo. Gasolina novinha pra mim. Rodamos até as três da tarde quando chegamos em Beaver Creek, a última vila antes do Alasca. Estávamos longe de casa, praticamente 50 dias viajando e fizemos nosso Iron Butt pessoal: 32 horas pilotando por 1.793 km. Foi cansativo, mas vencemos!


No dia seguinte a cereja do bolo, a fronteira com o Alasca. Centenas de foto na placa que tanto imaginamos. Estávamos no Alaska! O Marcelo me olhava com os olhos cheios de lagrimas. Gritava pra mim: “Olha onde estamos! Olha onde estamos?” Eu tinha alguns vazamentos e estava imunda. Tinha um pouco de gelo no meu painel. O agente da aduana carimbou um urso no passaporte do Marcelo e saiu da cabine pra me ver. “Did you came from Brazil until here on this bike?” Confesso que nem eu estava acreditando. Foram quase 50 dias sozinhos, eu e o Marcelo. 

Seguimos a Fairbanks e lá a noticia triste. Muita chuva em direção a Prudoe Bay e hotéis lotados com viajantes ilhados lá. Achamos prudente voltar. Já havíamos conquistado a última fronteira ou “the last border” como dizem por aqui. Vamos aproveitar o caminho de volta.



Caminho de volta

No retorno mudamos o caminho e passamos pelo interior do Canadá e o centro dos Estados Unidos. Sempre desviávamos cidades grandes. Prefiro rodar por vias locais e vilarejos. Não gosto de Correr. Sou uma Tornado: não tenho pressa, mas também não paro!

A tocada leve do Marcelo nos fez chegar aqui com segurança. O segundo pneu estava quase acabando no meio dos EUA. Achamos um pneu dianteiro de Harley, aro 18 polegadas, que serviu na minha traseira e seguimos até Miami, na Flórida na costa leste. 

Como o Marcelo tinha compromissos no Brasil o melhor foi me despachar. Lá fui eu novamente para o porão de um avião e voltei para o Brasil toda desmontada. Em Miami meu painel somava 33.000 km desde que saímos da minha garagem. Passamos por 13 países só nessa viagem. Mesmo cansado o Marcelo nunca descuidou da minha manutenção. Não tivemos nenhuma queda e não precisamos de auxilio de terceiros. 


Depois desta viagem vieram outras. Fomos até Ushuaia, no extremo sul da Argentina, outras vezes até a Patagônia, no Chile, e muitas aventuras pelo Brasil. Hoje estou com 230.000 km no painel, claro que não tenho mais aquele pique, mas não penso em parar. Até a próxima!


sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Viagem de um dia para conhecer a Serra do Lopo, em Extrema (MG)


Para você o que é liberdade? Trabalhar muito, ficar rico e desfrutar do luxo? Ou apenas arrumar a mochila e sair pelo mundo sem preocupações?  Concordo que a resposta não é fácil. Penso que liberdade também é seguir por qualquer caminho. 

Com essa ideia na cabeça parti para uma viagem curta, fazer um bate e volta até cidade mineira de Extrema. Pela rodovia Fernão Dias, a BR-381, é rapidão. Partindo de São Paulo você rodará somente 115 quilômetros. Como eu moro em Atibaia, fica ainda mais fácil.

Prepare as moedas, são duas paradas de pedágio, quando fiz o roteiro o valor de cada é de R$ 1,15. Aconselho levar trocado no bolso e parar o mínimo possível na cabine, afinal, moto e pedágio não combinam. Até publiquei um vídeo sobre esse tema no meu canal Moto Escola, veja abaixo. 


Terra de extremenses

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) menos de 40 mil pessoas moram em Extrema e, quem nasceu lá, é extremense. Legal essa denominação EXTREMENSE. Gostei. Além de nome peculiar, a cidade é repleta de atrações para quem gosta de aventura e comida boa.

Um dos destinos mais populares é a Serra do Lopo. Lembra que no começo do relato eu falei de liberdade? Pois é, isso está ligado ao veículo que escolhi: a scooter Honda ADV. Com ela estava tranquilo em relação ao tipo de estrada que pegaria para subir até o topo da serra e chegar nas rampas de decolagem.


Chegando na cidade, passando a rodoviária, bastou seguir as indicações e, após atravessar um bairro, estava no pé da subida. Não tem erro, mas prepare-se para rampas inclinadas. São sete quilômetros e a pista vai alternado entre calçamento de pedras, asfalto ruim e terra. Posso dizer? Foi uma diversão curtir o funcionamento da suspensão do valente ADV naquela manhã de sexta-feira quando estava praticamente sozinho na estrada.


Entre uma parada e outra (para captar imagens) é possível ouvir o som de pássaros e macacos que habitam as matas. Lá no alto (são 1.600 metros) o visual é incrível. De um lado, você enxerga a cidade com várias indústrias ao redor. Do outro é possível ver a represa do Jaguari e as montanhas da Serra da Mantiqueira.

Mineralizei

Depois das fotos e bater um longo papo com o Alemão - mecânico de motos da cidade, que conheci na rampa - era hora de descer e matar a fome. Numa cidade mineira, é obrigação buscar comida boa, típica da região.
Em Extrema minha dica é o Armazen Bertolotti. Comi um prato mineiro (com direito a linguiça, tutu, arroz, couve, ovo e claro, aquele PEDAÇÃO de torresmo. Segundo eles, o melhor do mundo... Depois o incrível pudim de leite. Na minha opinião, um dos melhores que já provei. 

Barriga cheia, pé na areia

Depois o almoço, subi no ADV rumo a Atibaia - minha cidade. O consumo de 40 km/litro e os pedágios baratos (no caso de Atibaia, apenas um) faz desse roteiro uma opção bem interessante para quem deseja gastar pouco e curtir muito. Na minha opinião, isso também é liberdade. Veja no vídeo

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quarta-feira, 21 de julho de 2021

É legal viajar numa moto de câmbio automático? Confira minhas impresões

 Em 2013 fizemos uma grande viagem até Rio Branco, capital do Acre. Tudo foi novidade naquela expedição que tinha dois atrativos: conhecer a região e viajar (pela primeira vez) numa moto automática, a Honda 1200 VFR Crosstourer . Estamos voltando no tempo e falando novamente dessa viagem por conta da chegada ao Brasil da Honda Africa Twin 1100 que traz versão DCT - sistema que faz a troca das marchas automaticamente - como uma das grandes novidades. Por conta disso, muitos seguidores do Canal Trajetos & Destinos e leitores do blog perguntaram a minha opinião sobre o sistema. Então vamos lá...

Na viagem de 4.000 km até Rio Branco, conheci o funcionamento do câmbio DCT

O sistema DCT já equipava a Honda VFR 1200 X Crosstourer quando eu e o Mário Villaescusa nos embrenhamos no Centro-Oeste do Brasil para cruzar o Mato Grosso, Rondônia e, finalmente, chegar ao Acre. Foi uma jornada de quase 4.000 km que percorremos em cinco dias - um deles foi descanso em Cuiabá (MT).

Nessa jornada foi interessante para conhecer a fundo (e na prática) o funcionamento do sistema. A troca de marchas era praticamente imperceptível enquanto o motor despesa o toque de 12,8 kgf.m empurrando os 260 kg da moto. Ainda tínhamos a bagagem e o fotógrafo Mário Villaescusa, eram quase 400 kg percorrendo a famosa BR-364, a principal estrada da região.

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Quando era necessário, bastava reduzir a marcha (usando as botões na não esquerda) que o motor subia de giros, a moto ganhava "força" e fazia ultrapassagens sem maiores problemas. Nossa viagem foi tranquila e confortável, e as lembranças do "cambio automático" foram as melhores possíveis.

Essa viagem foi publicada no Portal UOL e você pode conferir aqui

E no off-road

Passados quase oito anos, chegou a vez de tomar contato novamente com uma moto de câmbio automático. Em dezembro de 2020, fomos convidados para conhecer a versão DCT da Africa Twin 1000. Quanta diferença! Tanto no funcionamento do câmbio quanto na agilidade da moto.


Nascida para encarar os trechos fora-de-estrada, a  Africa Twuin 1.000 DCT - que pesa 232 kg - mostrou muita agilidade nos testes de slalon (entre os cones) e também nos obstáculos off-road. Fiquei o dia inteiro rodando com a moto, no começo achava que ela iria morrer por estar em baixa velocidade, a todo momento buscava o mante que embreagem e o pedal (que não existem...)


Vale a pena?

Em pouco tempo voltei a me acostumar com o câmbio automático e relembrei da ótima sensação que tive com a Crosstourer em 2013. Hoje eu uso um scooter diariamente e um dos atributos que mais me atraem nesse tipo de veículo é a facilidade de pilotagem, por conta do câmbio que dispensa as trocas de marchas. A mesma facilidade que que experimentei na Crossouter e na Africa Twin DCT. Tudo é questão de tempo e costume...

Veja o vídeo no Canal Trajetos & Destinos onde comento sobre o câmbio DCT e nossa viagem até o Acre de Crosstourer. 

sábado, 19 de junho de 2021

Até a Serra da Canastra de Honda ADV

 Rodamos 1.200 quilômetros com o scooter Honda ADV para conferir seu desempenho na cidade, na estrada e até nas trilhas


texto Cicero Lima, fotos Fabiano Godoy

O scooter ADV é um modelo de sucesso, tanto que suas vendas até maio/2021 passavam de 6.000 unidades. Muitos desses consumidores se encantaram com o design arrojado e agressivo do modelo que tem como principal argumento seu estilo aventureiro. Para conferir se ele realmente merece esse estilo, partimos numa aventura até a Serra da Canastra, em São Roque de Minas (MG). Foram percorridos 1.200 km – ida e volta – onde foi possível avaliar o modelo, saber seu consumo de combustível, desempenho e – o principal – se ele é tão valente. Vamos lá?

Equipado com o mesmo motor do Honda PCX 150 (o mais vendido do Brasil) tem a capacidade de 149,3 cc e usa refrigeração líquida. Sua potência máxima de  13,2 cv a 8.500 rpm enquanto o torque de 1,38 kgf.m está disponível em 6.500 giros. Os números são idênticos ao da PCX, porém as faixas de giros são menores – com destaque para o torque que chega mais cedo. A mudança se deve ao maior fluxo de ar que chega ao propulsor por conta de alterações no duto de alimentação.  Na estrada rodamos com ele na faixa dos 90 km/h sem problemas e a velocidade máxima chegou aos 110 km/h.

O consumo durante a viagem oscilou entre 29 km/litro – quando acelerávamos o máximo. O melhor consumo foi de 43 km/litro – rodando nas estradas de terra. O consumo médio ficou na casa dos 35 km/litro, com isso sua autonomia pode passar dos 280 km, por conta do tanque com capacidade para 8 litros. Como em qualquer veículo, o consumo de combustível depende da pilotagem, manutenção e qualidade da gasolina – entre outros fatores.

Na viagem muita gente perguntava a “cilindrada” e mostravam surpresa ao saber que tem 150 “cilindradas”. A surpresa se justifica, afinal o porte, as linhas afiladas e o sistema de iluminação em LED ajudam a encorpar o modelo que,  na minha opinião, é muito bonito.


Pneus, roda & cia

O quadro, do tipo berço duplo em aço – é o responsável por sustentar o motor e ancorar suspensão traseira e dianteira. Por falar em suspensão, a grande mudança (se comparado ao PCX) é o curso de suspensão que ganhou  3 cm na dianteira e 2cm, pode parecer pouco, mas é um acréscimo de 30% e 20% respectivamente que promete maior conforto em qualquer tipo de piso.

Nas trilhas, repletas de buracos e pedras soltas, foi o local ideal para testar o sistema – chamado Twin Subtank – da Showa que absorveu muito bem as ondulações e manteve a roda traseira em contato com o solo. Isso garantiu mais segurança e conforto, mesmo durante as frenagens.

Por falar em segurança, o freio dianteiro tem disco de 240 mm –com sistema ABS – enquanto a traseira usa disco de 220 mm.


Nos pneus de uso misto está a assinatura aventureira do modelo. Na dianteira 110/80, roda de 14 polegadas, na traseira 130/70 roda de 13 polegadas. A distância livre do solo, item fundamental para ter tranquilidade em locais não pavimentados, é de 165 mm. Essa característica também justifica sua cara aventureira e, na prática, se mostrou útil – as fotos mostram isso!

 O banco está a 795 mm do solo e permite apoiar os pés com facilidade para controlar os 127 kg (a seco) desse novo Honda. Aliás, em algumas situações, o baixo peso e a facilidade de realizar manobras foram importantes para curtir a viagem e chegar nas cachoeiras – o que seria muito complicados com motos grandes (mesmo as big trails).

As luzes em LED mostraram eficiência nos trechos noturnos e ajudam a destacar o scooter na estrada. O painel digital traz uma série de informações, entre elas o consumo instantâneo, e até avisa se a sua pilotagem está sendo econômica. Saída para adaptador de celular e chave chave Smart Key (que não precisa estar conectada ao scooter e sim no bolso ou na mochila do piloto) aumentam o conforto e a praticidade.

Na avaliação da revista Moto Escola, o Honda ADV se mostrou valente e econômico. Sua suspensão cumpriu sua função e permitiu encarar os desafios da Serra da Canastra. Claro que o trajeto exige um pouco de experiência de pilotagem, mas, se depender do Honda ADV, o caminho não importa!

Quanto custa?

Para saber o preço do ADV recomendamos que você entre no site do fabricante (clique aqui) ou confira na concessionária mais próxima. Isso é necessário pois os valores dependem da tributação de cada Estado e as taxas de frete.

Dados técnicos

MOTOR

Tipo OHC, monocilíndrico, 4 tempos, refrigeração a liquido

Cilindrada 149,3 cc

Potência Máxima 13,2 cv a 8.500 rpm

Torque Máximo 1,38 kgf.m a 6.500 rpm

Tanque de Combustível 8 Litros (gasolina)

Transmissão Tipo V-Matic

CHASSI

Tipo Berço Duplo

Suspensão Dianteira Garfo Telescópico

Curso  130 mm

Suspensão Traseira Dois amortecedores

Curso 120 mm

Freio Dianteiro disco de 240 mm (ABS)

Freio Traseiro disco de 220 mm

Pneu Dianteiro 110/80 - 14

Pneu Traseiro 130/70 - 13

MEDIDAS

Comprimento x Largura x Altura 1950 x 763 x 1153 mm

Distância entre Eixos 1324 mm

Distância Mínima do Solo 165 mm

Altura do Assento 795 mm

Peso Seco 127 kg


segunda-feira, 8 de março de 2021

Pela terra, pela água, pelo ar fomos de Honda Africa Twin até o extremo Oeste do Acre


Participei da Rider Expedition Amazônia que nos levou até o extremo oeste do País. Trajeto repleto de descobertas e surpresas começou em Rio Branco (AC) e terminou no Parque Nacional da Serra do Divisor junto à fronteira com o Peru na desafiante selva amazônica.

Por Cicero Lima Fotos Marcelo Vigneron

Aos poucos o pessoal da equipe ficava pequeno, do tamanho de formigas. O balão ganhava altura e o som do maçarico ecoava nas cercanias de Rio Branco despertando os cachorros. Em pouco tempo a matilha bradava para o enorme balão verde desafiando a lei da gravidade e chamando  mais atenção que o sol no amanhecer. Fiquei com vontade de me beliscar parecia um sonho, poder voar de balão no último dia de uma semana intensa, desafiadora e cheia de surpresas. 

No último dia da aventura ainda faria um incrível voo de balão sobre a floresta

Para quem mora no Sul e Sudeste, Rio Branco é uma cidade distante. Quem pensa assim está coberto de razão, contra números não há argumentos, mais de 3.500 quilômetros separam São Paulo da capital do Acre.

Apesar da distância, Rio Branco é a melhor saída para chegar ao Peru – como fiz em 2016. Porém, dessa vez, meu destino era outro. Queria chegar ao ponto mais a Oeste do Brasil, mas precisamente a pequena cidade de Mâncio Lima e de lá seguir de barco até o Parque Nacional da Serra do Divisor.

Se o nome já causa coceira na mão de quem gosta de aventuras, a realidade da região, que só pode ser acessada por barco ou pelo ar, é ainda mais surpreendente. Embarque comigo nessa aventura que começou por terra, passou pelo rio e terminou num incrível rasante sobre a copa das árvores.

Aventura com mordomia

O convite para acompanhar a expedição, no final do ano passado, veio de surpresa. Arrumei as malas e embarquei no voo da Latam até Rio Branco. Lá encontrei os amigos Osvaldo Dias, da Star Motos, e Cassiano Marques, EME Amazônia. Ambos são responsáveis pela operação Honda RedRider na Região Norte do Brasil (veja box).

A simples dos anfitriões já é garantia de diversão, organização e descobrimentos. Ambos conhecem bem e já percorreram praticamente toda a América Latina em diversas aventuras e agora queriam mostrar para os participantes da Rider Expedition Amazônia as belezas singulares da Serra do Divisor. Então, vamos lá...

motos perfeitas e abastecidas, equipe de apoio... o que eu queria mais?

Quem calibrou, lubrificou, abasteceu? Não sei!

Sem qualquer preocupação com manutenção, abastecimento ou roteiro – tinha apenas a “árdua” tarefa de pilotar a Honda Africa Twin 1000. Na manhã do sábado (05 de dezembro) bem cedinho as motos estavam prontas e perfiladas na porta da concessionária e começaria a nossa viagem.

Rumando sempre para o Oeste, o grupo de 10 motos e 2 picapes de apoio, acessou BR-364 e fomos em direção oeste. A bagagem seguia na picape de apoio e tinha comigo apenas a bolsa tanque – muita mordomia kkkkk.

Estou acostumado a cortar o Brasil na minha velha e confiável PCX (ano 2013) por isso a viagem começou como um sonho. Tendo pela frente o guidão da Africa ouvia os pneus engolindo o asfalto da estrada, naquele dia rodamos quase 700 quilômetros.

 Sol, asfalto quente e céu azul ... Aí o tempo muda, nuvens cinzas, tempestade forte e uma parada para o café da manhã. Claro que escolhi o Baixaria – prato típico da região – para reforçar o corpo.

Depois uma parada para almoço, em um exótico pesqueiro, com direito a nadar no banhado e comer peixe e outros pratos típicos da região. Ainda tivemos tempo para dar uma cochilada. 

Não faltaram paisagens exóticas e locais incríveis para rodar com a Africa Twin

A estrada passa por florestas fechadas, pequenas cidades e muitas vilas. O interessante é que em cada casa, geralmente palafita – para ficar acima do nível da água na época de cheias - se vê uma moto e uma pinguela de acesso. Realmente é um Brasil pouco conhecido que se descortinava à frente do meu capacete... Mas teria outras surpresas pelo caminho.

Ao fim do dia entramos na agitada Cruzeiro do Sul e nos hospedamos no Hotel Sesc, uma grata surpresa tanto pelo visual do lugar quanto pelo conforto das acomodações. Em minhas viagens, não estou acostumado a tanto luxo kkkk.

Depois de uma calorosa recepção, com direito e show típico, foi a hora de tomar aquela cerveja gelada, relaxar e pois no dia seguinte começava a parte fluvial da nossa aventura. Iríamos conhecer o Rio Croa...

Prazer, eu sou o Croa!

O Rio Croa que uma APA (Área de Proteção Ambiental) que se tornou conhecida pelas comunidades daimistas (Santo Daime) que usam o Chá do Ayuaska em seus rituais. Subimos o rio em pequenos. As águas negras e limpas do Rio Croa são moradas de diversas plantas entre elas a vitória régia. Era um domingo de muito calor e, na medida que o barco subia contra a corrente, surgiam pequenas comunidades e muita gente se divertindo dentro e fora da água. Crianças pulando das árvores, mostrou como a infância pode ser divertida longe do smartphone...

Rio Croa recebe turistas de todo o planeta para conhecer sua flora e as comunidades daimistas

Os rios têm uma função importante naquela parte do Brasil onde não existem estradas, apenas a floresta e água, muita água. Com a ajuda da guia Cintia Flores conhecemos a comunidade daimista Flor de Jurema, depois experimentei o chá de Ayuaska e chegamos perto da Samaúma uma árvore enorme e sagradas para o povo da floresta. 


Comunidade Daimista Flor da Jurema, ao lado, a árvore da Samaúma - que é considerada sagrada pelo povo da floresta


No dia seguinte, o grupo ficou em Cruzeiro do Sul para conhecer a maior cidade do Oeste brasileiro. Construções histórias, o mercado e a incrível arte de marchetaria foram o cardápio o almoço foi no Igarapé Preto, mas um deleite para os olhos e sabor. O interessante desse lugar é o silêncio, aos poucos a preocupação com o celular dava espaço para a contemplação da natureza e o bate papo tranquilo às margens do rio com sua areia branca e águas calmas como uma piscina.

Prazer, eu sou o Moa!

O dia amanheceu e já estávamos no pequeno porto de Mâncio Lima. O lugar é frenético com intensa movimentação de pequenos barcos que levam de tudo. Desde as compras do mercado até o cachorro que passou mal e foi no veterinário. Prá dizer a verdade achei aquilo uma loucura, bem diferente do Rio Croa com seus turistas e gente curtindo suas margens – aquele porto mostrou a realidade daqueles brasileiros que moram no extremo oeste.

Barcos recebem mantimentos para a longa viagem e a estadia na Serra do Divisor

Todos ajeitados, tralhas embarcadas e começa a aventura de subir o rio em direção ao Parque Nacional da Serra do Divisor. O Brasil tem mais de setenta parques nacionais, conheço alguns, mas este – que faz divisa com o Peru em plena selva amazônica – era novidade.

O motor de dois cilindros e 35 cavalos da voadeira parece brigar contra a forte correnteza do rio e suas inúmeras curvas serpenteando a floresta inundada. Não há terra e, a cada curva, o caminho se mostra mais desafiador. Habilidosos os barqueiros controlam a direção da embarcação e a potência do motor usando as mãos e as pernas. Para ganhar tempo e economizar combustível, entram em túneis sob as árvores para cortar caminho. Esses túneis, que ele chama de furos, são estreitos e emocionantes.

A imponente Samaúma se destaca e parece observar os viajantes que sobem o Rio Moa

Como teríamos uma viagem de quase dez horas as paradas para lanche e até almoço foram  necessárias. Nas estradas paramos no acostamento, no rio paramos nas prainhas. Não há como negar, foi um almoço pitoresco com a quentinha na mão observando o enorme volume de água descendo enquanto borboletas coloridas dançavam è nossa volta, uma enorme samaúma ao fundo tudo ao som da algazarra dos pássaros. Lembrei do meu personagem preferido no cinema, Indiana Jones.

O cenário muda a cada curva, pode ser uma pafalita colorida, uma igreja ou uma pequena fazenda de gado, trecho de mata fechada ou árvores enormes apesar de ser um rio, a cada curva é um novo lugar. 

Conectados e desconectados

Durante o trajeto fizemos uma parada rápida na Comunidade Nukini e não deixei de notar as imensas antenas da Embratel. A comunidade tem telefone público e sinal de internet, um dos poucos lugares da região “conectados com o mundo” lá para aquelas bandas.

Quando o sol começou a deitar no horizonte, já havíamos navegado mais de 180 km e surgiu a imponente Serra do Divisor. Finalmente! Chegamos na Pousada do Miro, quem gosta de aventura vai adorar esse passeio de barco.

Era uma terça feira e ficaríamos lá até sexta, com um vasto cardápio de caminhadas, cachoeiras, cavernas e até a visita a uma curiosa construção – fruto da exploração do petróleo na década de 1930.

Dez horas de navegação e chegamos na Pousada do Miro, já no Parque Nacional

Nesse tipo de viagem tudo é intenso, as distâncias são longas e as caminhadas exigem determinação e disposição para acordar cedo. No primeiro dia na floresta as quatro da manhã já estávamos embarcando para subir algumas centenas de metros no rio para acessar a trilha para o  mirante da Serra.

Finalmente havia chegado a hora de subir na plataforma e conferir toda a vastidão da floresta e ver ao longe a divisa Brasil-Peru. Lembra que eu falei de determinação? Pois é, precisamos muito dela para superar a íngreme trilha que corta a floresta. Em meio aos primeiros raios do sol e o som dos pássaros, minha respiração ofegante contrastava com o suor matinal ensopando a camiseta. Apesar disso, estava feliz, poucos brasileiros já fizeram aquela caminhada e chegaram naquele ponto extremo do nosso País.


Além das caminhadas para conhecer o parque e suas cachoeiras e grutas (como a Gruta do Sérgio), a observação de pássaros é uma atividade muita famosa no parque. Visitantes de todo o mundo vão até lá para fotografar, ver e ouvir algumas aves peculiares da região.

Vista do sol nascendo no alto da Serra do Divisor, perto da fronteira com o Peru

Já acostumado a ficar longa da internet e telefone, eu começava a dar mais atenção aos bate papos e principalmente a culinária do local. O Miro e sua família nos recebeu muito bem enquanto a Dona Eva, sua sogra, caprichava no café da manhã sempre farto, assim como o almoço e jantares. A cada refeição uma nova surpresa que sempre agradava. As calorias eram queimadas nas caminhadas.

Comunidade Nukini

Ficamos lá por quatro noites e a sexta feira chegou rápido e tínhamos que voltar para a civilização e a internet. No retorno passamos novamente na República Aldeia Nukini e fomos recebidos com uma apresentação típica e com muita simpatia. O povo Nukini espera o fim da pandemia para começar a receber turistas e hospedá-los em seu território.

Mantendo o distanciamento, fomos recebidos pela Comunidade Nukini

A volta foi mais rápida, estávamos a favor da correnteza, e chegamos a tempo de almoçar com tranquilidade. No dia seguinte voltaríamos para Rio Branco.

Estava com saudade de pilotar a Africa Twin. A moto já estava limpa, lubrificada, abastecida, pneus calibrados etc.. Tudo responsabilidade do Júnior, mecânico responsável, pelo bem-estar do equipamento e pilotos durante o trajeto.


A volta sempre parece ser mais rápida, talvez por já conhecer o caminho, no fim do dia já estávamos em Rio Branco. Após um breve e comovente confraternização, onde ganhei o Certificado, voltamos para o hotel arrumar as bagagens e preparar para a última aventura do roteiro: voar de balão.

Para voar com tranquilidade é preciso acordar bem cedo. Embora meu olho não quisesse abrir a expectativa de fazer um voo de balão me deixou agitado. Já voei de planador e saltei de moto-juping agora estava de frente com um novo desafio.

Ver aquele enorme balão se encher e, em pouco tempo, subir com leveza – com cinco adultos a bordo – foi sensacional. Se fosse definir como é voar de balão diria que é como estar numa varanda flutuante. Voando ao sabor do vento o balão sobe quando o maçarico de ar quente é acionado e desce a medida que o comandante abre a saída de ar quente.

Subindo e descendo o piloto busca uma corrente de vento na direção desejada. Com habilidade o piloto Cassiano Marques passou rente a copa das árvores de forma silenciosa. Assim foi possível ver os pássaros e conhecer a floresta, nas cercanias de Rio Branco, de forma inédita.

a sombra do balão nas enormes castanheiras, parecia um sonho, nunca tinha voado assim...

Voamos por mais de uma hora e após o pouso a equipe preparou um café da manhã e depois, seguindo a tradição, brindamos com um espumante para comemorar.

Foi uma viagem muito diferente de tudo o que eu vivi. Uma aventura com mordomia que foi coroada com um dos momentos mais legais da minha carreira de jornalista especializado. Se você gosta de aventuras em lugares exóticos e conhecer locais inexplorados esse roteiro é feito para você. Há, se não tiver moto não há problema, o aluguel da moto e todo o serviço está incluso no pacote. 


RedRider é um programada de relacionamento da Honda com os  motociclistas e turistas. A marca oferece uma série de atividades como cursos de pilotagem, locação de motos, passeios curtos e até longas expedições como essa que participei no Brasil e até no exterior. 

Os roteiros podem ser feitos com motos próprias ou alugadas em diversas regiões do Brasil e também no exterior. No site honda.com.br/motos/redrider é possível obter mais informações como calendários de atividades, disponibilidade de motos e valores.

Saiba mais sobre a Honda Africa Twin: http://bit.ly/38oZR3g


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Prepare-se, pedágios da Dutra terão novos preços

foto: divulgação comunicação CCR Nova Dutra

O gasto com pedágios para quem roda pela Via Dutra, que liga Rio de Janeiro e São Paulo, será menor.  Seguindo a deliberação número 61 da Agência Nacional de Transportes Terrestres - ANTT, as novas tarifas serão reduzidas a partir de 27 de fevereiro. 

O valor para os carros passam de R$ 15,20 para R$ 14,20, nas praças de pedágio de Moreira César, Itatiaia e Viúva Graça; de R$ 3,70 para R$ 3,50 nas praças de pedágio de Arujá, Guararema Norte e Guararema Sul; e de R$ 6,70 para R$ 6,20 na praça de pedágio de Jacareí.

Confira a tarifa para as motos

valor       praças

R$ 1,75    (Arujá e Guararema),

R$ 3,10    (Jacareí) e 

R$ 7,10     (Moreira César, Itatiaia e Viúva Graça).

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Pai e filho vão de moto até o Aconcágua, na Argentina, uma delas era Honda Pop 110i


Filho vem do Japão, tira “carta de moto” e acompanha o pai numa aventura ao Aconcágua, a montanha mais alta da América Latina

Por Ricardo Sussumu Hirose edição Cicero Lima

Fotos: arquivo pessoal

“Foi a melhor viagem da minha vida”, disse o economista Ricardo Sussumu Hirose, ao lembrar-se da aventura com o filho Daniel. O motociclista, dono de uma Honda Shadow 750, ano 2006, fala com entusiasmo do roteiro de 35 dias que começou no final de janeiro até início de março do ano passado. Ao lado de Daniel, que foi numa Honda Pop 110, deixou Itatiba (SP) para percorrer 8.500 quilômetros e fortalecer os laços entre as gerações. Confira seu relato:

“Como a maioria dos pais da minha idade (67 anos), tenho comigo a certeza de ter sido negligente no acompanhamento dos meus filhos, Daniel e Juliana. Tal atitude é “justificada” pela necessidade de trabalhar e garantir um futuro melhor etc. etc. Mas, hoje, sei que poderia ter sido diferente.

Meu filho Daniel é uma pessoa muito calma, não me lembro de ele ter agredido alguém com palavras ou fisicamente. Crítico e quase um autodidata, lê muito, e tem sua própria visão do mundo. Embora vivendo há dez anos fora do Brasil, é um cara muito ligado aos parentes e gosta dos encontros familiares que costumo fazer todos os anos. 

Esta foi a primeira vez que viajamos apenas eu e ele, e foi muito bacana, pois tivemos a oportunidade de nos conhecermos melhor. Posso afirmar, com certeza, hoje o entendo mais e somos ainda mais amigos. Não teria melhor companheiro de aventura do que ele.

Embora soubesse pilotar, o Dani gosta de bicicleta, mas em 2018, ele voltou ao Brasil, e sabendo do meu sonho de fazer uma boa viagem com minha moto, se dispôs a tirar “carta” e viajar comigo. Fiquei muito animado, e inicialmente pensamos em viajar no final do outono de 2018. Tivemos que postergar e decidimos adiar para o começo de 2019, após os encontros familiares do final do ano.

Pouco rodada


Havia comprado a Shadow em 2009 com apenas 3.000 km e, depois de dez anos, rodei só 4.000 km. Com a companhia de Dani, finalmente estava prestes a realizar meu sonho, uma grande viagem. 

Eu havia feito um roteiro com pouco mais de três mil quilômetros e sem grandes desafios. Passaríamos por Santa Catarina, conheceríamos Foz do Iguaçu (PR), Araçatuba (SP), que é minha cidade natal, Capitólio (MG), e voltaríamos para Itatiba. 

Pedi ao Dani para sugerir um roteiro e ele veio com essa aventura de 8.500 quilômetros a fim de conhecer o Aconcágua, próximo de Mendoza, Argentina. Fiquei meio assustado no início, mas como não tínhamos limitação de tempo, combinamos que faríamos uma viagem tranquila, sem pressa, aproveitando todas as boas coisas dos locais que iríamos passar. Definimos previamente as principais paradas e outras decidimos no dia anterior ou conforme as necessidades ou interesses do momento.



Saímos de Itatiba e passamos pela Rota da Serpente, em Apiaí (SP), e iríamos para a Serra da Graciosa, Morretes (PR), mas pegamos uma chuva brava e resolvemos desistir e deixar para outra oportunidade. Seguimos para Florianópolis (SC), adoro ostras frescas e camarão. Ainda em Santa Catarina, rumamos para a Serra Rio do Rastro, que justifica sua fama. Depois, foi a vez de conhecer os cânions de Itaimbezinho e Fortaleza, em Cambará do Sul (RS).

Nossas motos rumaram para o Chuí (RS), na divisa com o Uruguai. Eu tinha que pôr os pés naquela cidade, pois morei em Macapá (AP) e conhecia o Oiapoque, só para poder falar que fui do Oiapoque ao Chuí. 

Eu me senti no Uruguai, o idioma falado era castelhano e os preços estavam em pesos. Fizemos a imigração e entramos no país vizinho. Percorremos o litoral, até Punta del Este. Já havia visitado, num cruzeiro, mas de moto é muito melhor para ver aquela bela cidade. Seguimos para Montevidéu e, depois, Colônia do Sacramento, para fazer a travessia a Buenos Aires, Argentina. 

Pop ganhou destaque

No barco, durante a travessia, a Honda POP 110 foi atração. No meio das motos possantes, incrédulos motociclistas tiraram até selfies montados na caçulinha.


Buenos Aires, sempre bom visitá-la. Ficamos numa bela casa de família que alugamos pelo aplicativo Airbnb. Na casa, havia uma excelente parrilha (churrasqueira), prontamente fomos comprar umas boas carnes e vinhos, e nos deliciamos com os novos amigos anfitriões. Seguimos para Mendoza, mas dessa vez não fui visitar as ótimas vinícolas da região. Seguimos para Termas de Cacheuta, com suas piscinas de águas termais de 40 graus, rodeada pelos Andes, lindo demais. Esse foi um dos melhores momentos da viagem.

Sempre que possível, optamos pelo acampamento. Desde jovem, nos anos 1970, montava minha barraca no litoral em Bertioga, Perequê, Caraguá, Ubatuba e, principalmente, em Ilha Bela.

Foi uma excelente oportunidade, pois o Dani também gosta de acampar quando viaja de bicicleta. Montar a barraca, fazer uma comidinha simples no fogareiro de gravetos, apreciar o nascer e pôr do sol, e dormir debaixo de um céu estrelado, que não se vê nas grandes cidades, é impagável.


Nosso ritmo de viagem era bem tranquilo, rodávamos em média 400 quilômetros. Nossa velocidade era, em média, 80 km/h, porque respeitamos as limitações da POP 110. Na Argentina, mesmo existindo uma grande malha de postos YPF, a POP teve uma pane seca, mas foi por nosso descuido. Encontramos uma casa onde o proprietário nos cedeu um pedaço de mangueira do chuveiro e o problema foi resolvido.

A POP não fez feio na viagem, mas se houver uma próxima aventura, vou sugerir ao Dani uma moto maior, que será mais confortável.

Seguimos viagem para Uspallata, pequena e charmosa vila já próxima do Parque Provincial Aconcágua. Depois continuamos rumo ao pico mais alto da América Latina, com 6.962 metros de altitude. No trajeto, passamos por Potrerillos e Puente del Inca para, por fim, chegarmos ao destino. 

Dizer o quê?

Difícil expressar em palavras minha felicidade e a sensação de meta atingida. Mas nem tudo eram flores, tínhamos planejado acampar no parque, porém ficamos sabendo que precisávamos ter solicitado a licença em Mendoza. Hoje, também me arrependo de não ter ido até o Chile e conhecer os Caracoles, estávamos tão perto...

Voltamos desapontados para Uspallata, mas teríamos coisas boas pela frente. Começamos o caminho de volta, seguindo para Mendoza pelo El Camino de las 365 Curvas. Já havia feito de carro, mas descer aquela estrada de rípio de moto foi incrível. Algumas manadas de guanacos, que surgiam pelo caminho, trouxeram ainda mais emoção no trajeto. 


De Mendoza, seguimos para Santa Fé, depois Corrientes e Paso de la Pátria. Ficamos alguns dias pescando dourados, devidamente devolvidos ao rio. Também capturamos outros peixes que o barqueiro nos preparou de forma rudimentar na barranca do rio, acompanhados de cervejas Quilmes bem geladas. Seguimos sentido Puerto Iguazú, chegamos a Foz do Iguaçu (PR) e, finalmente, ao Brasil! 

Já havia passado por Foz duas vezes, mas não conhecia as cataratas, valeu a pena, que espetáculo. Seguimos para Maringá (PR), onde tenho uma irmã, depois para Araçatuba, a fim de rever os amigos e minha querida sogrinha. Passamos o Carnaval com meus amigos e retornamos para casa ainda mais unidos, agora nos conhecendo ainda melhor.”



Reencontro

Posso dizer que a viagem com meu pai foi meio que um “reencontro”. Sempre fomos unidos, mas depois de adultos e ainda mais comigo viajando sempre e morando no exterior, perdemos um pouco daquele elo mais forte de quando eu era criança. Essa viagem reacendeu a vontade de fortalecer essa ligação e viver mais aventuras junto com meu pai.

Nota da redação: Este depoimento foi enviado por Daniel, em meio a uma viagem solitária com sua bicicleta pelo sul do Japão, confira no site www.ovagamundo.com.br

 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Casal roda 48.000 km para percorrer as três Américas de Honda XRE 300

 Casal deixa a rotina, parte para Ushuaia e, depois, ruma para o Alasca a bordo de uma Honda XRE 300. Já nos Estados Unidos, a viagem foi interrompida pelo Covid-19. De volta ao Brasil planejam continuar a viagem

 Texto fotos: Jiuliano Eduardo Edição: Cicero Lima, material originalmente publicado na Revista Duas Rodas edição 537
 

Em 2016, fizemos, até então, nossa maior viagem de moto e atravessamos quatro países para chegar à Macchu Picchu, no Peru. Percebemos que trinta dias era pouco para conhecer tudo o que queríamos. Assim, em 2018 tivemos a ideia de ‘’largar tudo’’ e cruzar a América toda, desde Ushuaia, ao sul na Argentina, até Prudhoe Bay ao norte, no Alasca, EUA. 
Seriam dois anos de viagem, 80 mil km de estrada, conhecendo o máximo que pudéssemos da cultura e da história de cada país. Muitos motivos, além da rotina, nos levaram para a estrada: o desassossego de não se sentir em casa onde se vive e de se estar atado a um lugar sempre monótono. Existia ainda a necessidade de descobrir novos lugares, culturas, e de permitir-se viver a liberdade de transformar o sonho em algo concreto. 
Cruzar a América é um desejo que tenho desde os 12 anos, alimentado por filmes, livros, músicas e as histórias de aventuras publicadas na revista Duas Rodas, algo quase inalcançável. Nenhum dia é igual A vida de nômade é viciante, faz com que você sinta que não pertence a lugar nenhum e, ao mesmo tempo, que pertence a todo lugar. Apesar de algumas dificuldades, ter todo dia um lugar novo para descobrir é algo inexplicável e sempre novo. 

Acampar na praia, no parque Tayrona na Colômbia, nas Termas Del Plomo, nos Andes chilenos (acima), em um hotel abandonado na Rota 66, ou em qualquer posto de gasolina na Guatemala, por exemplo, traz a sensação de que o dia foi aproveitado ao máximo e, sobretudo, que o próximo, apesar das imprevisíveis possibilidades, será também. A opção pela moto foi fácil – 10 anos de trabalho pilotando diariamente – a escolha dela também, uma Honda XRE300, ano 2016, confortável, ideal para todas as estradas, presente em quase todos os países da América Latina e muito econômica. Viajamos com ela toda original, sem bolha ou banco confort, apenas baú traseiro de 45 litros e bauletos laterais de 21 litros cada. 
Na moto, levando apenas o essencial: roupas, ferramentas, e o equipamento para acamparmos. Sofremos com a falta de velocidade, sempre abaixo de 100 km/h por hora, devido ao peso, em algumas highways nos EUA e com o vento forte na Patagônia, algumas rajadas de 90 km/h por hora, faziam com que a moto não passasse de 30 km/h por hora, mas, no geral, só pontos positivos, principalmente nos mais de 5 mil km de estradas de chão que passamos. Além disso, as estradas esburacadas da Colômbia, destruíram o amortecedor traseiro que foi trocado pelo modelo usado na Tornado. 

 Partir com o que temos 

 O planejamento durou quase um ano. Onde ir, o que fazer e ver, documentos pra levar, quanto mais planejávamos, mais dinheiro víamos que seria necessário. Mas, a vontade de viajar era tão grande que decidimos partir em fevereiro de 2019 com o que conseguíssemos juntar. Foi uma viagem econômica e também trabalhamos durante o trajeto. O maior gasto é com hospedagem, então ficamos muito em campings. As hospedagens grátis do couthsurfing, um aplicativo onde pessoas te oferecem hospedagem grátis, em troca de experiências de viagem, são muito boas e servem para conhecer muita gente. 
No primeiro mês até Ushuaia, por exemplo, pagamos hospedagem apenas quatro vezes. 
Nos lugares onde não conseguimos locais grátis para dormir, o aplicativo ARBNB ajudou muito para encontrar lugares mais em conta. As estradas da América do Sul alimentaram nossas almas e têm atrações espetaculares. A lista é imensa e todas merecem ser conhecidas: Abra del Acay na Ruta 40 (onde passamos a 4.897 metros acima do nível do mar); Cuesta Del Obispo e Cuesta de Lipan na Argentina. A Carretera Austral, Caracoles e Embalse El Yeso no Chile; Canon Del Pato no Peru, Trampolim Del Diablo na Colômbia e muitas outras. O trecho mais difícil foi entre Uyuni na Bolivia e San Pedro de Atacama no Chile, quase 500 kms de off-road, passando pela Laguna Colorada, sem postos de combustíveis ou assistência, com um cenário espetacular no caminho todo. 

 Quanto custa? 

 Na América do sul é possível viajar em muitos países com 50 Reais ao dia, entre os mais baratos estão Bolívia, Peru e Equador, os mais caros são Chile e Uruguai. Na América Central, Costa Rica, Panamá e Belize são caros, já Nicarágua e El Salvador os mais baratos. Nosso maior gasto foi na travessia entre Colômbia e Panamá, 1.100 Dólares em veleiro, apesar do valor salgado valeu a viagem. As ilhas desertas de San Blas, no Caribe é um espetáculo, foram três dias de travessia e quase 30 horas de barco, devido as ondas, a Camila passou um pouco mal. 

O container é uma opção mais econômica, mas depende de dividir o custo com outras pessoas, e o período de ano que passamos (agosto) é pouco movimentado, levando em consideração o fim do verão no hemisfério norte. É possível atravessar pela mata o Tapon de Darien (que pode levar semanas), ou em barco pequeno desde Turbo, cogitamos fazer as duas, mas o risco de perder a moto no trajeto é muito alto. 

 Ao trabalho! 

 Na viagem trabalhamos em voluntariados em hostels, em uma área de preservação do urso andino no Equador, e pintamos casas em Buenos Aires. No Panamá e México, aproveitávamos as horas livres para ganhar dinheiro. Fazer turnos extras, vender chocolates aos hospedes ou brigadeiro na praia são alguns exemplos. O Panamá é um ótimo lugar porque a moeda (Balboa) equivale ao Dólar, o México também, porque recebem muitos turistas dos EUA que pagam em dólar. Ficamos três meses na América Central. Quem vai passar por ela rápido sofrerá, quase todas as fronteiras são terríveis, paga por tudo, além de ter muitas pessoas querendo vender serviços de que você não precisa. O ideal é evitar conversar com quem não seja um oficial de fronteira, e caso alguém te oferecer um serviço, diga que já passou por ali e conhece os trâmites. As fronteiras são parecidas, aduana, imigração e, se diferenciam, nas taxas. Se for com calma, vai adorar a América Central que possui diversas atrações; as inúmeras praias, muitos vulcões como o Masaya, onde se pode ver a lava de perto, cidades históricas, os sítios arqueológicos, e um povo receptivo que adora contar histórias, com destaque para a Nicarágua, país que mais gostamos. Antes de qualquer crítica, tem que levar em consideração a história de cada lugar. Com um passado de recentes guerras civis na maioria dos países da América Central, por exemplo, alguns países têm um alto índice de criminalidade e extrema pobreza. 


Gente boa 

Não podemos dar dicas de segurança, estaríamos mentindo. Visitamos grandes metrópoles, quatorze capitais, andamos à noite por cidades como San Salvador, conhecida pelo alto índice de violência. Não passamos por nenhuma situação de risco além do caótico trânsito no Peru, principalmente em Lima e no litoral, e ao norte da Colômbia. Aliás, percebemos que há muito mais pessoas com boas do que más intenções, independente do país. No México ficamos três meses. Infelizmente a polícia lá é muito corrupta, os agentes da fronteira também, enquanto ao tráfico e a violência fogem do controle, mas dificilmente afeta os “forasteiros”. O país no geral é espetacular, não à toa, o mais visitado da America Latina; cidades históricas, praias paradisíacas, sítios arqueológicos, cenotes (poços subterrâneos), vulcões, nevados, termas, cascatas, parques, diversos museus e, além de tudo, tem um povo muito receptivo. Já nos Estados Unidos não pagamos hospedagens nos primeiros vinte dias e é possível comer barato (mas não de maneira saudável). Com a chegada do Corona Vírus, as oportunidades de hospedagem ficaram escassas, os parques nacionais e os campings fecharam e tivemos que suspender a viagem e voltar. Ainda conseguimos conhecer o Texas (Austin, San Antonio, Dallas), viajar por quase 2 mil km da Rota 66 entre Oklahoma, Texas, New México, Arizona, e no final dela na Califórnia, passar pelo Death Valey (Vale da Morte, onde o pneu furou três vezes), passamos também por Albuquerque, Las Vegas, Los Angeles, além de várias pequenas cidades. 


Está registrado

Cada vez que ligava a XRE o painel mostrava o tamanho de nossa viagem. Deixamos o Brasil com 12.000 km acumulados, agora já tinha passado de 60.000 km. Apesar disso, por pouco tivemos que abandonar a moto antes de voltar ao Brasil, pois deixá-la num estacionamento seria muito caro. Assim pedi ajuda no grupo do VMAS (Viagem de Moto América do Sul) no Facebook, onde sempre postamos relatos de nossa página chamada USHUASKA. 
Muitos companheiros ofereceram ajuda, entre eles, Celso Gomes, que entrou em contato com um amigo de Los Angeles, Wolfgang, que não só abrigou a nossa moto, como foi buscá-la. Voltar para casa, quase um ano e meio depois de puta “estrada”, foi um choque muito forte, apesar dos perrengues a viagem estava sensacional. Deixar a aventura, de uma hora pra outra e voltar ao cotidiano é complicado, ainda não nos acostumamos, dificilmente vamos nos acostumar. Agora vamos trabalhar para tentar voltar e terminar a nossa viagem desde Los Angeles, onde nossa moto ficou. Pensamos que pode ser no próximo ano e já sonhamos explorar outros continentes. Quem sabe? Mas um passo de cada vez, sabemos que os dias nunca mais serão iguais... 
 Leia mais sobre a viagem na página: https://www.facebook.com/ushuaska/
Saiba mais sobre a XRE 300: http://bit.ly/2X37dU9

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

O que levar no primeiro acampamento

Quem vê suas fotos no Instagran - @ marcosdead - também conhecido como Marquinhos, imagina que ele é um aventureiro profissional. Sempre com imagens alucinantes no alto de uma torre, pendurado no rapel ou acampando em algum lugar fantástico. Mas a realidade por trás daquelas imagens está ligada a determinação, trabalho e coragem. “Eu tenho uma rotina intensa e recompenso isso com viagens rápidas e intensas”.


 Ele trabalha de segunda a sábado numa loja de informática em período integral e está sempre correndo. “Gosto de conhecer lugares novos e curtir um nascer do sol diferente, por vezes acordo de madrugada, saiu de Guarulhos (SP) e vou ver o sol nascer na praia ou na montanha. Depois volto para casa, tomo banho e vou trabalhar”. Para isso ele conta com a sua moto, pela qual se diz “apaixonado”.  “A Pretinha é minha primeira moto”, uma Honda CG Start, ano 2016 que já acumula 78.200 km rodados, que ganha até beijos depois que é lavada.  


Acampar é de lei

Por vezes sai da loja onde trabalha, passa no mercado e compra algo para comer no acampamento. Arruma a bagagem, a moto e decide o destino. “Gosto muito do Pico do Urubu, em Mogi das Cruzes. O pico está a 1.140 metros de altitude e fica na Serra do Itapeti. É fácil chegar lá, a subida é meio íngreme, mas a CG vai de boa”.  Chega lá monta sua barraca e pode desfrutar do visual da cidade, o Rio Mogi, parte de Suzano e também do Vale do Paraíba. 

Acampamento

Para o viajante acampar resolve dois problemas: o custo da hospedagem e permite apreciar visuais insólitos. “Escolho o lugar, bem plano, monto a barraca e, antes de guardar o resto do equipamento, deito para ver se não tem pedra ou algum problema que impedirá uma boa noite de sono”. “Se estiver tudo certo instalo o isolante térmico, colchonete e saco de dormir. Durmo como se estivesse em casa, na minha cama”. 



O que não falta no acampamento:

  • barraca
  • fogareiro
  • colchonete
  • rede
  • lata de atum
  • macarrão
  • água











Assista ao vídeo completo: